quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

FRANÇOIS MIGAULT, 1944-2012

O piloto francês François Migault faleceu neste último domingo aos 67 anos em Le Mans, sua terra natal, depois de lutar anos com um câncer que o vitimou. Uma das grandes esperanças francesas no início dos anos 70, Migault despontou no automobilimso ao vencer o Volante Shell, o que lhe garantiu o direito de disputar o campeonato francês de F3 de 1970, tendo como companheiro de equipe o já consagrado Jean Pierre Jaussaud.

Pilotando um Tecno 70-Novamotor da Écurie Volant Shell, Migault conseguiu resultados consistentes para um estreante, sendo seu melhor resultado um segundo lugar na Coupe de Bourgogne, disputada num curioso circuito do aeroporto de Dijon, resultado que repetiu em Albi.

Competindo com pilotos mais experientes e a novíssima geração francesa - Patrick Depailler, Jean Pierre Jarrier, Bob Wollek, François Cévert, José Dolhem, Jean Luc Salomon e Dennis Dayan, por exemplo - François Migault garantiu para 1971 mais uma temporada pela Écurie Volant Shell.

Desta vez ao volante de um Martini WM7/Novamotor, garantiu a primeira vitória na categoria na Coupe de Pâques, em Nogaro. Outros bons resultados foram o segundo lugar em Pau, o terceiro em Clermont-Ferrand, dois terceiros em Nogaro e Albi.

Em 1972, François Migault migrou naturalmente para a Fórmula 2, na época porta de entrada e caminho natural para a cobiçada Fórmula Um, pilotado inicialmente um March 722-Ford/Hart ainda pela Écurie Volant Shell.

Preterido pelos interesses da Shell francesa e da estatal Elf que resolveram investir nas carreiras de François Cévert, Patrick Depailler e Jean Pierre Jabouille, por exemplo, Migault teve que se contentar com equipamento de qualidade discutível como o desconhecido Taydec-Ford e assim mesmo somente em algumas corridas em solo francês em que não logrou chegar ao final.



Neste meio tempo, Migault dedicou-se aos pequenos protótipos pilotando um Chevron B21 em dupla com Brian Johnson mas com parcos resultados. Uma mudança importante neste ano foi a estréia ao volante de um incerto Connew de Fórmula Um, uma aventura garagista que resultou na não-qualificação no GP da Inglaterra e um abandono no da Áustria, além de uma apresentação sofrível na Rothmans 50.000, uma prova de Formula Libre disputada em Brands Hatch, uma espécie de vale tudo milionário onde participavam carros de F1, F2, F3, F5000 e vencida neste ano por Emerson Fittipaldi ao volante de um Lotus 72D.

O fracasso da investida na categoria maior o levou de volta à F2 em 1973, pilotando o mal sucedido projeto do Pygmée MDB18-Ford, que já havia jogado por terras as ambições dos brasileiros José Carlos Pace e Lian Duarte no ano anterior.

A exemplo dos brasileiros, inscrito em poucas corridas e sendo vitima de abandonos e não-qualificações, François Migault colheu apenas um insípido 11o. lugar na etapa de Rouen-Les-Essarts.

A despeito da temporada decepcionante na F2 em 1973, Migault conseguiu voltar à Fórmula Um agora na Motul-BRM, pilotando ao lado de Jean Pierre Beltoise, Chris Amon e Henri Pescarolo. Seus resultados neste ano são típicos de um estreante na sua primeira temporada completa na Categoria: GP da Argentina (abandono por vazamento de água), no Brasil (16o.), África do Sul (15o.), na Espanha (abandono por quebra do motor), na Bélgica (16o.), em Monaco (abandono por acidente), na Holanda (abandono por quebra da caixa de marchas), na França (14o. lugar).

No GP da Inglaterra não se classificou para a largada, o mesmo acontecendo na Alemanha. No GP da Áustria a BRM inscreveu un só carro para Jean Pierre Beltoise, que também não viu o fim da corrida, parando na 22a. volta por quebra do motor. François Migault retornaria no GP da Itália, que se mostraria desastroso para a equipe BRM. Seus três carros ( Beltoise, Pescarolo e Migault) abandonariam nas três primeiras voltas por quebras de motor, câmbio e parte elétrica, encerando ali a temporada de Migault que não participaria dos dois últimos GP do ano, os do Canadá e EUA.

Migault só voltaria ao volante de um F1 no GP da Espanha de 1975, ao volante de um Embassy-Hill da equipe de Grahan Hill, em Montjuich numa das mais desastrosas e dramáticas corridas da história da Fórmula Um, quando o Embassy-Hill de Rolf Stommelen - seu companheiro de equipe - investiu sobre a improvisada barreira de proteção, capotando sobre o público e matando cinco espectadores, além de quebrar a perna o pulso e duas costelas do piloto alemão.

François Migault já havia abandonado após chocar-se com o Lotus Ford de Ronnie Peterson na volta 24, duas antes da consumação da tragédia.Migault retornaria ao volante do Embassy-Hill somente no GP da Bélgica, mas retirou-se por quebra da suspensão. No GP da frança, disputado em Paul Ricard, o piloto francês tentou participar com um fraquíssimo Williams-Ford, sendo o único a não classificar-se para a largada. Selava-se assim sua participação na Fórmula Um.

Mas se na categoria maior não teve muitas chances, o mesmo não se deve dizer quanto aos carros GT ou protótipos onde obteve relativo sucesso.

François Migault foi terceiro nas 24 Horas de Le Mans de 1974 ao volante de um Matra-Simca MS670 com Jean Pierre Jabouille, e terceiro em 1976 pilotando um Mirage GR8-Cosworth em dupla com Jean Louis Lafosse, prova que disputou regularmente até 2002. É atribuido a ele o recorde em linha reta - 416 Km/h na reta de Mulsanne- conduzindo um protótipo WR com motor Peugeot nas 24 Horas de le Mans de 1988. Teve também participações destacadas no rallye Paris Dakar.

(fotos reprodução)

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