Apesar de serem pilotos de uma classe social alta, pouco tinham a ver com os Gentleman-Drivers de outras épocas, denotando uma grande consciência de profissionalismo. Homens como José Juncadella, Juan Fernández, Francisco Torredemer, Eugénio Baturone ou mesmo Paço Godía, nos seus últimos anos de atividade, foram internacionalmente conhecidos graças à Escuderia.
Mas não seria justo referir a Escudería Montjuich sem fazê-lo também da equipe que foi a sua grande rival dentro e fora de Espanha (principalmente nos circuitos de Montjuich e de Buenos Aires), a Escuderia Nacional CS, com os seus dois pilotos mais conhecidos: Alex Soler-Roig e Jorge de Bragation. A sã rivalidade entre ambas as equipas iria moldar-se ao longo dos anos, mas principalmente em 1972, quando se fundiram numa só entidade.
Graças a ambas, pode-se desfrutar em Espanha e em toda a Península Ibérica da presença de veículos como os Porsche (907, 908 nas suas diferentes evoluções, 910 e 917), Ford GT 40 ou o Ferrari 512 (S e M). Tradicionalmente, a Escuderia Nacional estaria mais ligada à Porsche enquanto que a Montjuich esteve mais com a Ferrari (apesar de terem tido sempre algum Porsche preparado para correr).
Pode-se afirmar que foi na edição de 1969 das 24 Horas de Daytona que tudo começou a tomar forma. Alex Soller-Roig inscreveu para si e para Rudi Lins, um Porsche 907, na realidade o mesmo com que tinha corrido em Le Mans 1968 (com a Squadra Tartaruga). Apesar do abandono na sequência de uma colisão, esta participação no conhecido circuito da Flórida assinalou o arranque da Escuderia Nacional. Apenas um mês mais tarde, nas 12 Horas de Sebring, alcançou-se um magnifico resultado quando Soler-Roig e Linz terminaram na quarta posição com o seu Porsche 907, frente a uma lista de concorrentes verdadeiramente de luxo.
No entanto, e apesar de inscrita em Le Mans e em Brands Hatch, nesse ano a Escuderia Nacional CS não voltaria a participar em provas internacionais. Pelo contrário, a sua rival Montjuich correria em Brands Hatch, onde José Juncadella e Gordon Spice (mais conhecido por construir nos anos 80 os seus próprios prototipos da categoría C2) utilizaram sem grande êxito um Ford GT 40, obrigado a desistir nesta primeira aventura fora de fronteiras.
Mas se há uma prova que merece ser destacada em 1969, serão as “12 Horas de Barcelona”, disputadas no mítico circuito de Montjuich (tristemente desaparecido em 1975) onde a Escuderia com o mesmo nome do circuito inscreveria nada menos do que 8 carros, com dois Porsche 908 como ponta de lança, e pilotos como Juan Fernandez, Paço Gódia, David Piper e Chris Craft. Isto para não esquecer o Porsche 910 de Nick Gold e Charles Lucas ou o Ford GT 40 de Juncadella e Gordon Spice.Pela parte da Escuderia Nacional, apenas se inscreveria um Porsche 908/02 para a sua dupla de pilotos, Alex Soler-Roig e Jorge de Bragation. No que terá sido uma surpresa para muitos, o 908 de Soler-Roig fez o melhor tempo dos treinos, superando a legião de veículos da Montjuich. No entanto, problemas durante a prova atrasariam o "Porsche Nacional" até ao sétimo posto, permitindo à Escuderia Montjuich alcançar uma cômoda “dobradinha” com os 908 de Godia/Fernandez (1º) e Piper/Craft (2º).
Outra corrida importante, especialmente para a Escuderia Nacional, seriam as 6 Horas de Jarama. Esta prova, reservada a carros dos grupos 3, 4 e 6, celebrar-se-ia na última semana do mês de Outubro. Os principais veículos eram os Porsche 908 de Fernandez/Godía da Escuderia Montjuich, de Soler-Roig que fazia equipe com o seu amigo Jochen Rindt (diz-se que cobrou por esta corrida o equivalente a 2000 Euros!) e um terceiro 908 para Van Lennep e De la Peña.
Aqui inverteram-se os resultados das 12 Horas de Barcelona, e se bem que tenha sido o 908 Montjuich de Fernandez/Godia que fez o melhor tempo do grid de largada (com apenas um décimo de vantagem sobre o segundo tempo) na corrida viria a impor-se o carro similar (mas da Escuderia Nacional) de Soler-Roig/Rindt, com Fernandez/Gódia em segundo e Juncadella/Spice em terceiro, com o veterano Ford GT40 vermelho da Escuderia Montjuich.
Objetivos mais ambiciosos.
Em 1970 as equipes dispunham de melhores máquinas mas não disputaram muitas provas além-fronteiras. Começaram com os 1000 Km de Buenos Aires, corrida que apesar de ainda não contar pontos para o Campeonato Mundial (sê-lo-ia um ano mais tarde) contaria com a presença do Porsche 917K de David Piper e com as equipes oficiais da Matra e da Alfa Romeo. Tanto a Escuderia Nacional como a Escuderia Montjuich inscreveram os seus Porsche 908/2 (Soler-Roig/ Rindt e Fernández/Juncadella) que apesar de terem apenas 350 HP de potência, eram rápidos, agressivos e perdoavam erros de condução.
No final, após o abandono do Porsche 917 de Piper/Redman, a vitória seria para o Matra 650 de Jean Pierre Beltoise e de um quase desconhecido chamado Henri Pescarolo, com uma volta de vantagem sobre o 908 da Escuderia Nacional de Alex Soler-Roig e Jochen Rindt.
Para Le Mans, a corrida das corridas, a Escuderia Nacional Calvo Sotelo inscreveria o seu conhecido Porsche 908, entregue a Soler-Roig e Dieter Quester, mas a organização não aceitaria a equipe, deixando-os fora da prova. Melhor sorte teria a Escuderia Montjuich que dispunha de uma das onze Ferrari 512 S que alinharam na partida (para enfrentar sete Porsche 917) nas mãos de José Juncadella e Juan Fernandez.
Apesar de um tempo promissor nos treinos, a Ferrari seria obrigada a abandonar por avaria na transmissão, na edição das míticas 24 Horas que viu a primeira vitória de um Porsche (917K 4,5 litros, Chassis 023 e número 23, de Richard Attowood e Hans Herrmann. Esta Ferrari 512S da Escuderia Montjuich correria também nas 6 Horas de Jarama, nas mãos de José Juncadella e Arturo Merzario, mas o pequeno piloto italiano partiu a caixa de velocidades na segunda volta da corrida.O ano de 1970 marcaria também o primeiro triunfo de Jorge de Bragation em Portugal, quando o piloto espanhol, conduziu o Porsche 908/2 ao primeiro posto do Circuito de Montes Claros. Note-se que na altura Bragation era também o Príncipe herdeiro do trono Real da Geórgia)."
(segue no próximo post...)
(texto original Christian Taginer/Fotos reprodução)
2 comentários:
Bonita história. . .permita-me apenas um adendo: quando cita Rindt, dizendo que ele cobrou para formar dupla, na verdade ambos ficaram amigos depois que o austríaco foi tratado pelo pai do espanhol (médico que era. . .) após seu pavoroso acidente em Montjuich, quando da quebra do aerofólio traseiro da Lotus 49.
Zé Maria
Tanto Alex Soler Roig como o p´rincipe Jorge de Bragation correram na Copa Brasil de 1970.
Soler Roig de Porsche 907 - que depois seria comprado por Angi Munhoz e aqui correu pela equipe Motoradio - e Bragation de Porsche 908.
Uma curiosidade como esses espanhóis de certa maneira estiveram ligados ao automobilismo brasileiro. O Porsche 908/2 comprado depois pela equipe Z (depois Hollywood)pertencera a equipe Montjuich e correra nas mãos de Juan Fernadez.
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