Assim,não foi sem curiosidade que aceitei o convite do Eduardo Moreira para andar no segundo carro de sua equipe - pilotado normalmente pelo excelente piloto paulista Luis "Nenê" Finotti e que já ganhou uma das etapas do campeonato.
Eduardo Moreira me ajuda na "instalação" no cockpit do Naja.
Sentado no cockpit, a sensação já me era familiar, perdi a conta de quantas vezes me postei atrás do volante para ajustes e experimentacões diversas. O Naja Formula Vee "veste" bem o piloto. Seu amplo cockpit de laterais altas passa de imediato uma sensacão de conforto e seguranca. Tudo está à mão: volante, comandos do painel, alavanca de câmbio. Eduardo me ajuda a amarrar o cinto de cinco pontos - uma obrigacão visando de qualquer maneira a seguranca -, amarro o capacete aberto Sparco "de época" (sou claustrofóbico...), giro os comandos de chvae geral e contato e o motor VW acorda vigoroso, emitindo um urro poderoso logo às minhas costas.
Piso na embreagem de comando hidráulico, levissima por sinal, e engato a primeira marcha. A posicão é o H tradicional do fusca, primeira e terceira em cima, segunda e quarta embaixo. A ré engata-se trazendo a alavanca para a esquerda, até quase topar com o volante; daí levanta-se a alavanca e puxa-se para trás. Facílimo...
Saio com cuidado para a pista, esperando um momento em que possa andar livre de tráfego dos outros Formula Vee que desfilam pela pista da Pirelli, durante o Track Day. A primeira volta é bem lenta, só tentando me achar nos comandos de volante, câmbio e pedais. Na segunda resolvo ousar mais e logo na entrada da primeira chicane constato a excelente dirigibilidade do Naja. Coloca-se a frente do carro onde se queira, o monoposto é extremamente obediente aos comandos e previsivel nas reacões. Dai entendo os constantes elogios dos pilotos à conducao do nosso Formula Vee.
Confiante, piso mais forte no acelerador e o motor 1600 cc, dois carburadores 32, movido a álcool e com excelente preparacão do Yastaro fala alto. O carrinho empurra demais e a curva do final da reta aproxima-se rápido. Dou uma mancada, aperto demais o freio e a muito favoravel relacão peso-potencia se faz sentir (76 HP na roda versus 430 kg de peso total). Praticamente páro na entrada da curva e, envergonhado, engato rápido uma segunda e sigo em frente.
No curvão que se segue após a chicane no final da reta oposta dou uma abusada, forcando a traseira e aparece a maior queixa dos pilotos até aqui: o Naja destraciona demais de traseira, em virtude da carga da mola dos amortecedores. Foi um excesso de zelo quando do projeto e que se mostrou desnecessário ao longo do desenvolvimento do carro. Um item a ser mudado para o próximo ano.
Mas fora o desconforto de ver o motor gritar como se estivéssemos pisando na embreagem, nada demais afeta o desempenho do carro que enfrenta curvas de baixa, média e alta com galhardia. Mais um ponto a favor do projetista: a exclusiva caixa de direção de pinhão e cremalheira permite controlar o Naja Formula Vee com apenas uma volta de batente a batente...!
Poderia ficar horas pilotando o Naja mas o controlador de pista me avisa que é a minha última volta. Aproveito para dar a despedida, como manda o figurino: acelero forte na entrada da reta em terceira, jogo brevemente uma quarta, pisada forte no freio, seguido de redução para terceira. Volante de um lado para o outro na chicane, o Naja obedece cegamente aos meus comandos. Novamente quarta na breve reta que antecede a curva do final, que tem uma tomada dupla.
Mais confiante entro de quarta numa rápida curvinha à direita, punta-tacco seguido de terceira e aponto na primeira tangência da curva. Dou motor, abro um pouco para tangenciar na saída e dou de cara com os cones que delimitam a entrada da reta oposto. Alivio o acelerador, passo beirando os cones e pé embaixo novamente.
No meio da reta oposta há uma chicane bem de baixa, meio enjoada de se fazer. Abuso da confiança e, de olho no conta giros e ouvidos atentos no motor, freio forte e puxo de quarta para segunda. Espero o urro de protesto do motor, mas dei sorte, acertei na rotação correta e a marcha entra bem lisinha. Mais acelerador e jogo terceira, minha dúvida é se estico ou jogo logo quarta, mesmo perdendo rotações.
Vou de terceira mesmo, no final da reta oposta há um retorno de baixa velocidade que percorro em segunda, adentrando a longa curva à esquerda. Vou dando motor progressivamente, a frente do carro grudada no chão e a traseira levemente querendo "escorregar", mas nada que um levíssimo contraesterço não resolva. Absolutamente delicioso de pilotar.
Subo a curva inclinada com amortecedores e rodas trabalhando furiosamente e não posso me furtar de imaginar que estou em algum lugar de...Nurburgring ! Mas a realidade me chama de volta com a bandeira quadriculada do controlador de pista. Tiro o pé do acelerador, entro no espaço destinado aos carros, solto o cinto e abandono o cockpit com as maravilhosas imagens daquelas poucas voltas frescas na memória.
Minha primeira experiência a bordo do Formula Vee atesta o motivo de seu sucesso: um carro seguro, delicioso de se pilotar, resistente e de baixo custo, que atende à perfeição aos anseios do piloto amador ou diletante. Ainda bem que já tenho o meu...
(foto reprodução)
9 comentários:
Legal Joca, bela descrição de um primeiro contato.
Serviu pra aumentar a minha vontade de andar num...
Abraço
Antonio
Eita Mestre!
É ao contrário do que se possa pensar mesmo.
Pra mim você tinha andado muitas vezes no Naja.
Como disse o Seabra serviu pra aumentar minha vontade de andar num.
Abraços.
Pena que a bateria da camera tinha acabado
Foi muito legal proporcinar a voce e a muitos outros a oportunidade de esperimentar o Fvee, tenho certeza que alguns pegaram o "virus" e vão nos fazer companhia nos próximos grids
Esse virus, Eduardo, me foi inoculado na primeira reunião lá na sala Willians e até hoje o máximo que consegui foi colocar a bunda em 3 Najas. Só de pensar fico aguado. Apesar do convite do Zuzu, não pude participar desse dia glorioso. Quem sabe, ano que vem, né Seabra e Sidney? Sonhar ainda não paga ingresso.
O pessoal vê as pingas que se toma e não vê os tombos que se leva.
Eu e o Joaquim montamos o carro da Formula Vee na garagem da minha casa, foram horas e horas de trabalho entrando na noite, um nervosismo, pois era a estréia e tínhamos que ter grid.
O carro foi de qualquer maneira, não tivemos tempo para nada, tínhamos de cuidar de um monte de outras coisas. Fui eu pilotando, o Joaquim nem olhava de tão nervoso. Tínhamos apenas sete carros no grid e já havíamos cancelado a estréia na primeira etapa do campeonato, ou era na marra ou seria a desmoralização. Seis era o mínimo para se ter uma prova válida, deu sete, um a mais.
No final terminamos com 19 e tem 25 prontos, se bem que termina mesmo em 21/22 de janeiro.
E ainda fizemos a Copa Mobil em Piracicaba dando prêmios, coisa meio inédita aqui, aproveitamos o fechamento pela F1.
Até que para o primeiro ano fomos bem, mesmo com Interlagos fechado fomos para Piracicaba e acho que quem foi se divertiu e muito.
Ainda tentei fazer 4 ou 5 corridas, mas não dá, ou se faz uma coisa ou outra, a cama é para quem deita e não para quem a faz.
Uma hora com mais calma e se conseguirmos janelas de treino em Interlagos vamos usar mais o brinquedo. Ou mesmo em Piracicaba que é uma boa pista para os Formula Vee.
S E N S A C I O N A L, Mestre Joca!!!
Espero um dia também poder dar umas voltas na baratinha.
A categoria é um sucesso e um grandioso tapa na cara (e na boca) de alguns bobalhões metidos a entendidos que condenaram a Vee antes mesmo dela sair do papel.
Sucesso e vida longa a categoria!
Abraços empoeirados
Mestre,
perfeito seu relato, andei em Piracicaba e me senti muito à vontade no carrinho.
Dia 20 de janeiro estarei em Sampa acelerando o brinquedo novamente.
Valeu por citar a Bahia na sua entrevista no canal Speed.
Raphael Soares Junior
Piloto da Bahia
Roberto Zullino
Desculpe-me, não sabia que você estava tão envolvido com o Fórmula Vee.
Receba atrasado, mas conscientemente, meus parabéns por ter levado a cabo essa empreitada junto com o Joaquim.
Abraços.
Pois é Joca, a minha chance de dar um voltinha num desses infelizmente não deve chegar. Não te contei mas estou vivendo um drama familiar que apenas eu posso resolver. Questões de saúde. Tanto que nem trabalhar posso. Coisas da vida das pessoas que não podem ser explicadas mas devem de qualquer forma serem enfrentadas.
Parabens pelo relato, super bem feito como sempre.
Te desejo, e à toda turma da F Vee, um muito feliz 2012
Abrx
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