terça-feira, 17 de agosto de 2010

AS 24 HORAS DE INTERLAGOS DE 1970...

Na esteira do sucesso das Mil Milhas Brasileiras, o Centauro Motor Clube criou em 1960 a prova 24 Horas de Interlagos, somente para carros de série nacionais. O evento mostrou-se oportuno para a incipiente indústria brasileira mostrar ao público a qualidade e resistencia de seus produtos.

A primeira edição foi amplamente dominada pelos Alfa Romeo-JK oficiais, sendo que os petropolitanos Alvaro e Ailton Varanda levaram a vitória com as duplas Chico Landi/Camilo Christófaro e o engenheiro Amilcar Baroni/Lissoni a seguir.

Com maior ou menor frequencia, as 24 Horas foram sendo realizadas ao longo dos anos 60 até chegarmos à sua última edição no ano de 1970. Quase fiel ao regulamento original, a edição de 1970 também era dedicada somente a marcas de carros nacionais, se bem que com alguma liberdade de preparação.

Mas naquele ano a situação dos pilotos brasileiros era bastante diferente. Encantados com o canto de sereia do automobilismo internacional, vários grandes nomes se encontravam na Europa, tentando a sorte na F-Ford ou F-3, uma vez que Emerson Fittipaldi já estreara na cobiçada Fórmula Um.

Desse modo, quase quarenta carros de duplas formadas por veteranos pilotos e alguns jovens candidatos a revelações, compuseram o grid de largada, com marcas tão diferentes como os Opalas dos irmãos Bird e Nilson Clemente, Carlos Alberto Sgarbi/Fernando Barbosa, Fabio Crespi/Mário Sampaio e o de Ciro Cayres/Jan Balder, este correndo com apoio semi-oficial da GM e testando um novo câmbio de quatro marchas.

Os FNM Jk e 2150 da Equipe Jolly....

Outros concorrentes de peso eram os Alfa Romeo 2150 da equipe Jolly (Piero Gancia e Emilio Zambello, Luis Fernando Terra Smith e Vitorio Zambello) e o da sempre forte dupla Jaime Silva/Ugo Galina da equipe Camional.

Outro potencial candidato à vitória era o Dodge Dart de Luis carlos Sansone/Paulo Sousa, o restante era formado por alguns Corcel com kit Bino, um VW 4 portas e um batalhão de fuscas. Luis Antonio Grecco, sempre acostumado a grandes vitórias e

m provas longas, desta vez contava somente com dois Corcel-Bino que seriam pilotados pelas duplas Lian Duarte/Totó Porto, Pedro Victor de Lamare/Claudinho Daniel Rodrigues e José renato Catapani/Sérgio Mattos.

Opala dos irmãos Clemente, vencedor com méritos e sem concorrentes.

Dada a largada o Opala 3800 dos irmãos Clemente assumiu a ponta, já acossado pelo surpreendente Vw #48 da dupla Angi Munhoz e Freddy Giorgi que se mantiveram na mesma volta do Opala por quinze horas, até o VW abandonar na 15a. hora, às sete horas da manhã, com a engrenagem do distribuidor quebrada.

O FNM 2150 de Jaime Silva/Ugo Galina, terceiro colocado.

A luta pelo segundo posto ficou entre o FNM 2150 de Jaime Silva/Ugo Galina e o VW 4 portas de Emerson Maluf/Fausto Dabbur, fazendo uma grande corrida pois haviam largado em último lugar, sendo que este último garantiu a segunda colocação quando o FNM parou para reabastecer.

Corcel-Bino de Pedro Victor de Lamare/Claudinho Daniel Rodrigues

Em quarto chegou o único Corcel Bino da equipe de Grecco, pilotado por De Lamare/Claudinho Daniel Rodrigues, uma vez que os outros dois não passaram da primeira hora de corrida. Em quinto, o FNM 2150 de Piero Gancia/Emilio Zambello que optaram por primar pela regularidade.

O Opala 51 de Sgarbi/bBarbosa acidentado na Curva do Sol.

Dos outros potenciais candidatos à vitória, o Opala 3800 de Carlos Alberto Sagrbi/Fernando Barbosa sofreu uma saída de pista na saída da Curva do Sol, assim como o Dart de Sansone/De Sousa que se acidentou entre as curvas 1 e 2, mas ainda conseguiu voltar e terminar em 28o. lugar.

Rodando com muita tranquilidade à medida que os principais adversários enfrentavam problemas, o Opala dos irmãos Bird e Nilson Clemente completaram as 24 HOras de corrida em 356 voltas, à média de 118,440 Km/h, e seis voltas à frente do VW 1700 cc de Fausto Dabbur/Emerson Maluf, estabelecendo mais dois novos recordes para Interlagos.

Foi a última edição das 24 Horas de Interlagos, a nossa prova de maior duração que só seria sobrepujada em 1973 com a realização das 25 Horas para carros da Divisão Um.

(fotos arquivo Ricardo Mercede)

6 comentários:

Roberto Costa disse...

Mestre, o texto diz:

" o Dart de Sansone/De Sousa que se acidentou entre as curvas 1 e 2, mas ainda conseguiu voltar e terminar em 280. lugar"

Não seriam 280 voltas completadas?

Mestre Joca disse...

Bem observado, Roberto Costa.

Mas na verdade é apenas um erro de digitação: considere vigésimo oitavo lugar.

Obrigado pela correção.

Abs.

Jovino disse...

Gostei de ver o fusquinha Zé do Caixão andando bem nesta prova.
Jovino

Bastos disse...

Caro Mestre Joca.
O terceiro lugar nas 24 horas deInterlagos 1960 Grande Prêmio GEIA não teria sido Carlos Lissoni e Luciano Della Porta tambem guiando um JK.
Abs.
AVBastos

Ondina Spinelli disse...

Olá, gostaria de saber se vcs tem fotos do Valmir Spinelli e do Valtemir, vulgo Bolão, em seus arquivos, pois vi que vcs sabem fatos deles, e gostaria de saber mais sobre o Valmir, principalmente. Att. Ondina Spinelli

marcosvela disse...

Esclarecendo, o dodge dart verde numero 14 era propriedade de Luis Alberto de Paula Souza, que corria em parceria com Sansone. Com este último, saiu da pista entre as curvas 1 e 2 logo no começo da prova, ficando pendurado no barranco. Retornou à prova depois de muito tempo nos boxes e terminou em 28° lugar.