sábado, 21 de fevereiro de 2009

O CORSO CARNAVALESCO....

Nestes tempos de carnavais pré-fabricados, de falsas alegrias compradas em prestações ou embaladas às custas de "substâncias exóticas", nada como relembrar os velhos carnavais de outrora.

Autênticas manifestações populares onde se misturavam o povão e as elites em uma verdadeira celebração à genuína alegria, onde não podia faltar a velha ironia e picardia brasileiras ao criticar em marchinhas, marchas ranchos e sambas sincopados, as mazelas do dia-a-dia (a falta de água, de luz, do pão, do transporte), a crítica social aos políticos e à classe dirigente, ou ainda a enorme capacidade de troçar de si mesmos, da própria miséria cotidiana.

Tempo de colombinas, pierrôs e arlequins, personagens da comédia dell´arte italiana perfeitamente integradas ao espírito carnavalesco, das melindrosas da belle époque, dos blocos de mascarados que assustavam a garotada, os grupos de chorões e seus violões e cavaquinhos, palhaços e bailarinas infantis, dos corsos carnavalescos

Estes últimos, pelo próprio espírito do blog, merecem uma apreciação mais demorada.

"Corso carnavalesco, ou simplesmente corso, é o nome que os passeios das sociedades carnavalescas do século XIX adquiriram no início do século XX, no Rio de Janeiro, após uma tentativa de se reproduzir do país as batalhas de flores características dos carnavais mais sofisticados da virada do século, como, por exemplo, o da cidade de Nice, no sul da França.

A brincadeira consistia no desfile de carruagens enfeitadas – e, posteriormente, de automóveis sem capota –, repletos de foliões que percorriam o eixo Avenida Central-Avenida Beira-Mar.

Ao se cruzarem, os ocupantes dos veículos (geralmente grupos fantasiados) lançavam uns nos outros, confetes, serpentinas e esguichos de lança-perfume.

Por sua própria natureza, o corso era uma brincadeira exclusiva das elites, que possuíam carros ou que podiam pagar seu aluguel nos dias de carnaval.


O corso era o mais difundido evento do carnaval carioca na primeira década do século XX, ocupando todo eixo carnavalesco durante os três dias de folia e abrindo espaço somente (e mesmo assim em horários predeterminados) para os grupos populares (chamados genericamente de ranchos) na noite de segunda-feira e para as Grandes Sociedades, na noite de terça-feira gorda.

Os grandes centros urbanos brasileiros rapidamente aderiram à moda surgida na capital e passaram a apresentar corsos em suas principais artérias durante o carnaval.

Uma importante divulgação do corso aconteceu durante o carnaval de 1907, quando as filhas do então presidente Afonso Pena, fizeram um passeio no automóvel presidencial, pela Avenida Beira-Mar, no Rio de Janeiro."

E assim se brincava o Carnaval, sassaricando, levando a vida no arame...

(texto e fotos reprodução)

5 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo post Mestre Joca.
Era uma época mais simples onde festas de carnaval era coisa mais familiar e não esse festival de narcisismo e libidinagem desenfreada incentivada pela mídia com essas pseudo celebridades.

João Henrique (SP)

Helio Herbert disse...

Depois que descobriram que da para ganhar dinheiro com o Carnaval virou essa bagunça onde se mistura cultura com putaria...

Anônimo disse...

O interessante no vídeo é a lembrança das velhas marchinhas de carnaval que embalaram a infãncia de muita gente.

Gilberto

Mestre Joca disse...

Carnaval, como muitas outras coisas atualmente, mudou completamente de feição, hoje é "profissionalizado" quer dizer, tem muita gente ganhando grana em cima dele.
Mas ainda sobrevive aqui e ali o carnaval de rua, e não me refiro aos trios elétricos baianos e outros que proliferaram por aí.
Recife e Olinda ainda promovem um bom carnaval, dentro do perfil popular.
Agora o que acabou mesmo foi o carnaval de salão.
Os poucos que sobreviveram é uma bandalheira só...

Rosana Baptistella disse...

Mestre Joca,
queria tanto ver o vídeo!! É possível postá-lo novamente? Grata!