segunda-feira, 28 de julho de 2014

AS ALFAS DO RIO...

O Rio de Janeiro apesar de só foi ter tido um circuito permanente em 1966 sempre se notabilizou como importante praça no automobilismo nacional, talvez a segunda logo atrás de São Paulo. E isso se refletia na qualidade de seus carros. Nos anos 50 as corridas cariocas se destacavam pela impressionante diversidade de marcas presentes em seus grids como Maseratis, Ferraris, Alfas Romeo, Mercedes, MG, Jaguar e outras menos votadas.

De 1966 em diante o Rio de Janeiro se tornou destino de muitos carros que fizeram história em Interlagos, notadamente aqueles oriundos das equipes oficiais de fábrica, a maioria desativadas naquele ano. Foi o caso dos famosos Malzoni-DKW, algumas berlinetas Interlagos, o Mark I e o Bino Mark II da Ford Willys. Mas o caso das Alfas Romeo GTA/GTV merece uma apreciação à parte. Nunca me dei ao trabalho de um levantamento mais preciso mas, à primeira vista, nunca houve uma concentração tão grande de carros Alfa Romeo como no Rio no período de 1967 a 1969. Senão vejamos, sem me importar muito com a precisão cronológica.

Alfa GTA 65 de Mário Olivetti, Lorena-Porsche de Sidney Cardoso e Alfa GTA 227 de Aloisio Kreischer.

Alfa Romeo TI Super # 76 de Hélvio Zanatta...

Wilson Marques Ferreira (Alfa TI #79) seguido de Norman Casari com Malzoni DKW # 96.

Nas minhas lembranças andaram de Alfa Romeo Ti Super ( advindas da Equipe Jolly Gancia, de São Paulo) os pilotos Sidney e Sérgio Cardoso, Wilson Marques Ferreira e Helvio Zanata. O mesmo Wilson "Playboy" Ferreira andou também de Alfa Romeo Zagatto e creio que outro Wilson, o Masid, também. Mas nos capítulos Alfa GTA sobressaiu o pessoal de Petrópolis, com destaque para Mário Olivetti e a dupla filho e pai Aloiso Renato e Henrique Kreischer. Outro que andou afiando as garras em GTA foi também o petropolitano Renato Peixoto. E, por fim mas não menos importante, tivemos o Lair Carvalho, ex-defensor de Renault Gordinis, com sua Alfa GTV vermelha numeral 49. Se houve outros a memória me trai neste momento, mas aí entram os universitários para me ajudar.

(fotos reprodução AE/Sidney Cardoso/Rodrigo Octávio)

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O CANTO DE CISNE DA LENDÁRIA CARRETERA 18...


Eu devia esta foto há um bom tempo: 500 Km de Interlagos de 1970 e, apesar da presença de carros muito mais modernos e já vencedores como o Bino-Ford Mark II, o Furia-FNM e a BMW-Schnitzer Esquife, a antiga carretera Chevy de Camilo Christófaro ainda deu um calor danado. E esta foto é emblemática, a "despachada" do Camilão sobre a turma dos moderninhos até a freada de Curva Três. Daí a melhor engenharia do Bino e do Furia se fez sentir e Camilo teve que se contentar em andar em terceiro até os dois ponteiros pararem nos boxes por idêntico defeito: pára-brisas quebrado. Camilão manteve-se na ponta até ser traído por uma queima da junta do cabeçote. Foi talvez a última grande exibição da carretera Chevy-Corvette e mais uma decepção para seu piloto que nunca ganhou esta corrida.

(foto reprodução)

domingo, 13 de julho de 2014

AQUARELA BRASILEIRA...(12)


A foto é linda demais para que eu não deixe de registrar. Circuito de rua da Barra da Tijuca, creio que em 1965. Marinho Camargo no Malzoni-DKW de lata #10, seguido da berlineta #35 de Carlos Erymá e do DKW #92 do Newtinho Alves. Os créditos vão para o arquivo do Eduardo Achylles de Miranda, publicado na página do Facebook do Clássicos Brasileiros.

(foto reprodução)

quarta-feira, 9 de julho de 2014

KART IN RIO, 1974...



A descoberta é do incansável Dú Cardim: quem se lembra dos pilotos de kart do Rio em 1974 ? O vídeo é do arquivo do Canal 100 e abre com imagens das primeiras provas de kart no Rio de Janeiro, o kartódromo do Maqui-Mundi, etc, etc.

(videos cortesia Du Cardim)

domingo, 6 de julho de 2014

QUEM, QUANDO E ONDE...?


Não é tão difícil quanto parece. Quem matar os dois pilotos no centro já é meio caminho andado. Quem arrisca ?

(foto reprodução)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O DESCONHECIDO CIRCUITO BRIZZI DE INTERLAGOS...

Não sei quem o batizou, nem quando nem porque. Mas acredito que foi uma homenagem a Nélson "Enzo" Brizzi, lendário mecânico e construtor de carros de corrida dos anos 60. Trabalhou na Equipe Tubularte de José Gimenez Lopes, depois foi um dos baluartes da Equipe Willys e por fim o construtor do Fusca dois-motores dos irmãos Fittipaldi e do protótipo Fitti-Alfa. Pois bem, pouca gente sabe que o miolo do antigo circuito de Interlagos era também conhecido como "circuito Brizzi", devido à ampla reforma que o circuito paulista sofreu de 1968 a 1970.

Explico melhor:  a pista de Interlagos foi inaugurada em 12 de maio de 1940 e, apesar do desenho desafiante do circuito e de sua vista privilegiada, ficou mais de 25 anos sem uma reforma ou atualização adequada. Em 1967 para a realização das Mil Milhas (a primeira corrida em quase toda a década de 1960 em que correriam pilotos europeus) uma apressada recapagem do asfalto em alguns pontos do circuito e alargamento das laterais de algumas curvas fizeram-se necessárias. Mas, devido ao estado calamitoso do circuito paulistano, Interlagos merecia uma ampla e geral reforma. E isto foi conseguido através do esforço do casal Piero e Lula Gancia que conseguiram sensibilizar o então prefeito Faria Lima.

O que se previa ser uma reforma de um ano tornou-se uma batalha de dois anos devido às precárias condições do circuito, com instalações completamente inadequadas e totalmente superado quanto á segurança. Neste meio tempo, 1968/69, os brasileiros começaram a fazer sucesso na Europa na F-Ford e Formula 3, provocando quase uma debandada dos nossos melhores jovens pilotos rumo ao continente europeu. E o panorama do automobilismo internacional mudara radicalmente com os grandes nomes clamando por melhores condições de segurança nos circuitos. Além do mais, já se comentava à boca pequena a intenção de trazer para o novo Interlagos provas do Mundial de Marcas ou de categorias menores como a Fórmula 3, a exemplo do que ocorria na Argentina.


Em meados de 1969 o miolo do circuito já estava pronto. Novo asfalto, curvas com ângulos retificados, novos acostamentos e áreas de escape, além da grande novidade dos guard-rails. Em obras somente o novos boxes - agora deslocados das imediações da antiga Curva da Junção para as proximidades da Curva Um. Daí começaram as gestões dos pilotos, federação e do pessoal das escolinhas de pilotagem para a liberação do miolo do circuito apenas para aulas e treinos oficiais.



Uma volta por parte do antigo "circuito Brizzi", sem os retornos da Junção e Curva 4.

E como a reta dos boxes, as Curvas Um e Dois - e consequentemente o antigo Retão e Curva 3 - estavam interditados devido as obras, improvisou-se um circuito aproveitando todo o miolo, mas com retorno ao contrário na Curva da Junção (atual Café) e na antiga Curva 4, descida para a ferradura. Os boxes improvisados ficavam num recuo da pista na Reta Oposta, pouco antes da Curva do Sol. Não se sabe que, como nem porque batizaram informalmente de "Circuito Brizzi". Mas este jamais foi utilizado em competições oficiais, apenas em treinos, ocasionais testes e aulas das escolinhas de pilotagem. Mas fica aí o registro pelo menos a título de curiosidade.

(foto reprodução)


quarta-feira, 18 de junho de 2014

AQUARELA BRASILEIRA...(11)

Sem autódromo, os mineiros tinham que se virar com o que estivesse à mão. Depois de algumas corridas de rua em Juiz de Fora e outras cidades do interior, foi a vez de Belo Horizonte marcar presença. E isto foi possível com a construção do Mineirão, onde o estacionamento do estádio serviu para improvisação de pista de corrida. Ali despontou uma geração lendária de carros e pilotos no final dos anos 60 e início da década seguinte. Só para lembrar alguns, os primos Toninho e Ivaldo da Matta, Marcelo Campos, Ronaldo Ferreira, Martius Jarjour, Clóvis da Gama Ferreira e outros de nomes folclóricos mas não menos competentes, como Kid Cabeleira e Edu Malavéia.



Nossa Aquarela Brasileira de hoje homenageia carros também que ficaram na história como o Opala Motorauto, o Puma e AC-VW da Carbel ou o Corcel Bino da Cisa, além de algumas experimentações um tanto exóticas como protótipos VW de fundo de quintal ou um dos poucos Chrysler GTX a participarem de corridas. Cheguei a assistir algumas dessas provas no velho circuito do Mineirão, depois denominado Marcelo Campos, após o fatal acidente deste piloto em janeiro de 1970.